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Planejamento

By R. J. Rushdoony
December 15, 2017

Tradução: Nathan Cazé[1]

Título original: Planning
Originalmente publicado em 18 de junho de 2012
Fonte: https://chalcedon.edu/resource...

Uma das coisas que escutaremos mais e mais hoje em dia é planejamento. Planos-mestres estão ou sendo desenvolvidos para cada comunidade, país, estado, empresa e grupo, ou então estão destinados para o desenvolvimento. Junto a isso estão bancos de dados, dossiês fornecendo informações completas a respeito de cada indivíduo, organização ou grupo. Algumas declarações feitas por parte dos planejadores são alarmantes. Assim, Mel Scott, ao propor uma área metropolitana para o governo na Carolina do Sul, disse, “Num desses dias será criada nesta região metropolitana uma agência de reassentamento urbano...Deveria ser a agência mais heterodoxa já concebida e deveria ser livre para experimentar com uma grande variedade de serviços, projetos, métodos e poderes jurídicos”. Por outro lado, alguns planejadores estão, eles próprios, alarmados com a ameaça potencial quanto ao planejamento. Quer sejam liberais[2] ou socialistas, eles creem que seu planejamento é para o bem do homem, e as implicações perigosas de planejamentos assustam a eles. Assim, o planejador Albert Mindlin tem perguntado, “Ao marchar corajosamente avante para uma Utopia de 1984, não estamos também pavimentando cegamente o caminho para um possível Big Brother de 1984?”.

A resposta é obviamente sim. O socialismo baseia-se em dois fundamentos: Primeiro, dinheiro gerenciado, dinheiro falso ou dinheiro em papel. Visto que o dinheiro é a vida-sangue da economia, o controle de uma economia requer o controle de dinheiro. Quando o controle de dinheiro começa, o socialismo sucede, quer seja intencional ou não. Segundo, o planejamento é a próxima exigência. Para gerir uma economia, é necessário aumentar os controles sobre a economia, e isso exige um planejamento cada vez maior e, finalmente, um planejamento total. Para gerir uma economia, você precisa controlar e planejá-la, e o controle começa com o dinheiro e espalha-se a todo o aspecto da vida do homem.

Planejamento significa várias coisas. Primeiro, seu objetivo é controle total sobre o homem para providenciar ao homem todos os benefícios que o socialismo oferece. Para o socialismo funcionar, controle total é necessário. Segundo, isso significa que deve haver um plano total para o homem. Escutaremos cada vez mais sobre planejamento total. É impossível ir para qualquer esquina dos Estados Unidos e fugir do plano mestre para a área, e para você mesmo. O socialismo quer salvar o homem, e para salvá-lo aquele deve planejar e controlar a vida deste. Terceiro, para planejar e controlar o homem, é necessário ter conhecimento total a respeito do homem. Como resultado disso, bancos de dados e dossiês estão sendo acumulados para fornecer esse conhecimento total a respeito de cada homem, comunidade, grupo, vocação e todas as demais coisas.

Um marxista, Maurice Cornforth, numa importante obra, Marxism and the Linguistic Philosophy (International Publishers, 1965), escreveu: “O objetivo da política socialista e planejamento socialista é, obviamente, produzir uma abundância absoluta de bens e serviços, para que tudo o que qualquer pessoa venha a necessitar esteja disponível a ela. E, à parte de obstáculos de interferência externa, calamidades naturais e erros de planejamento, todos os quais são superáveis, não há razão por que este objetivo não deva ser alcançado” (p. 327).

No planejamento total, o Estado toma o lugar de Deus, e ele nos dá a predestinação por meio do homem, predestinação por meio do Estado socialista, como o substituto da predestinação de Deus. Mas, como disse Cornforth, para realizar isso, o Estado deve estar livre de oposição, desastres naturais (os quais não são planejados, como secas e enchentes), e também livre de erros humanos. Que ordem impressionante é isso!

O que acontece na realidade quando o Estado começa a planejar? O quanto mais forte torna-se o Estado, mais extensivo torna-se o seu planejamento, e mais sério torna-se as suas punições pela não conformidade. As estatísticas de um Estado diminuem em precisão na mesma proporção que o estado aumenta em potência. Um Estado poderoso requer sucesso de sua burocracia, e este demanda conformidade. Este recebe conformidade, mas não o sucesso. Cada Plano Quinquenal na União Soviética foi planejada com base em estatísticas fornecidas por cada divisão de estado e indústria, e agricultura também. As estatísticas foram desonestas. Homens temiam relatar o caos que existia em suas áreas, e eles forneceram estatísticas manipuladas como resultado disso. O planejamento soviético, portanto, fundamentava-se em estatísticas errôneas. Quando o plano terminou, quem queria relatar o fracasso e ir para a Sibéria? Todas as pessoas relatavam o sucesso. Assim, o plano foi um sucesso; a URSS estava alcançando os EUA, e o povo estava passando fome enquanto as estatísticas relatavam uma boa colheita!

Não é necessário, entretanto, ir à União Soviética para ter-se estatísticas desonestas. Elas existem em todos os lugares e em todos os Estados. Quando as potências europeias apoderaram-se da África, elas trabalharam para civilizá-la. O canibalismo foi proibido. Nessas circunstâncias, cada administrador colonial queria relatar o sucesso e adquirir promoção, e, então, eles relataram um declínio constante no canibalismo e um aumento na civilização. Assim, eles foram promovidos a uma posição mais alta depois de terem declarado um declínio de 30% no canibalismo. Seus sucessores seguiram uma prática semelhante até que o canibalismo fosse estatisticamente abolido e a civilização reinasse na África! Mas a diferença entre estatísticas e realidade apareceu quando as colônias adquiriram independência e o canibalismo reviveu. A Nigéria era considerada como uma atração turística de independência africana, com bastante educação, com diplomas britânicos de muitas universidades notáveis, e com Primeiro-Ministro, o Senhor Abubaker Tafaw Balewa, nomeado cavalheiro por parte da Rainha Elizabete. Infelizmente, em 15 de janeiro de 1965, o Senhor Abubaker, o Senhor Ahmado Bello e outros dignitários provaram ser a atenção principal num jantar organizado “por democratas locais e humanitários”.

Estatísticas dos EUA, fornecidas por parte dos governos federal, estadual, do condado e municipal, são um pouco melhores, e quanto mais alto alguém vai, pior tornam-se elas. Estatísticas são dados econômicos; mas, quando coletadas para uso do Estado, elas tornam-se fatos políticos, e elas são, portanto, corrompidas, deturpadas e alteradas para servirem a interesses políticos. Uma empresa deve ter dados estatísticos precisos sobre vendas, custos, e produção, ou esta irá falir. Do início ao fim, estatísticas de negócios são fatos econômicos e são governados por realidades econômicas rígidas. Mas, do início ao fim, sob as estatísticas do socialismo estão os fatos políticos e são governadas por realidades políticas. Como resultado, a realidade econômica é suprimida, e o resultado é a continuação do poder político por um tempo juntamente com o caos econômico.

Isso é uma nêmesis do socialismo. O socialismo não funciona porque, primeiro, este tenta assumir a função e prerrogativa de Deus, que é impossível. E, segundo, porque o socialismo destrói a ordem econômica ao dar primazia política e poder acima da economia. E já que a administração política da esfera econômica é um princípio básico do socialismo, o socialismo é, por natureza, envolvido numa contradição e numa impossibilidade.

Como, então, sobrevive o socialismo? Há dois caminhos para a sobrevivência do socialismo: Primeiro, o socialismo é parasitário. Ele deve alimentar-se de um corpo saudável para sobreviver. Um parasita somente pode viver enquanto este tiver um corpo saudável ou vivo para alimentar-se. Quando o corpo hospedeiro morre, o parasita ou encontra outro hospedeiro ou morre também. Hoje em dia, os EUA é o corpo hospedeiro para os parasitas do mundo, e ele está sangrando até a morte. Segundo, visto que o socialismo é parasitário, ele é imperialista. Todo Estado socialista deve capturar países sadios para destripar as suas economias e sobreviver um pouco mais. Quer seja militar ou de outra forma, o imperialismo torna-se uma necessidade para o socialismo. Não precisamos estar surpresos, pois, a respeito da agressão contínua de uma era socialista.

Planejamento mestre, portanto, termina numa obra-prima de anarquia, iniquidade e confusão. O plano do homem está falindo em todos os lugares, como isso necessariamente deve acontecer. Somente o plano de Deus permanece assegurado, e devemos mover-nos em termos dele.

(Retirado de Roots of Reconstruction, p. 568; Chalcedon Report No. 12, September, 1966)



[1] E-mail do tradutor para contato: [email protected] Traduzido e publicado em dezembro de 2017. Esta tradução está oficialmente disponível no blog monoergon.wordpress.com

[2] Nota do tradutor: os liberais nos EUA pertencem à esquerda.

Rev. R. J. Rushdoony (1916-2001) foi um grande teólogo, especialista sobre igreja/Estado, e autor de várias obras sobre a aplicação da lei bíblica à sociedade. Ele criou a Fundação Chalcedon em 1965. Suas Institutes of Biblical Law (1973) deu início ao movimento de teonomia contemporânea o qual postula a validade da lei bíblica como o padrão, de Deus, de obediência para todos. Ele, portanto, viu a lei de Deus como a base da resposta cristã moderna ao declínio cultural, uma que ele atribuiu ao falso entendimento da igreja a respeito da lei de Deus sendo oposta à Sua graça. Ele descreveu essa resposta cristã ampla como “Reconstrucionismo cristão”. Ele é creditado por ter acendido os movimentos modernos de escola e homeschooling cristãos de meados ao final do século XX. Ele também viajou extensivamente ensinando e servindo como uma testemunha especialista em inúmeros processos judiciais a respeito de liberdade religiosa. Muitos esforços ministeriais e educacionais que continuam hoje, tomaram suas raízes filosóficas e bíblicas das palestras e livros dele.


Topics: Statism, Economics, Culture , Government, Philosophy, Christian Reconstruction, Socialism, World History

R. J. Rushdoony

Rev. R.J. Rushdoony (1916–2001), was a leading theologian, church/state expert, and author of numerous works on the application of Biblical law to society. He started the Chalcedon Foundation in 1965.  His Institutes of Biblical Law (1973) began the contemporary theonomy movement which posits the validity of Biblical law as God’s standard of obedience for all. He therefore saw God’s law as the basis of the modern Christian response to the cultural decline, one he attributed to the church’s false view of God’s law being opposed to His grace. This broad Christian response he described as “Christian Reconstruction.”  He is credited with igniting the modern Christian school and homeschooling movements in the mid to late 20th century. He also traveled extensively lecturing and serving as an expert witness in numerous court cases regarding religious liberty. Many ministry and educational efforts that continue today, took their philosophical and Biblical roots from his lectures and books.

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